Manogon em Livro Abereu-livro-baixa-resolu.jpg

Livro aberto: seria a vida de uma pessoa? Mas o que somos pode ser mais complicado. Somos uma mistura de um pouco de tudo. Por exemplo, adoro pizza e lasanha, mas não dispenso uma mousse de maracujá ou chocolate. Sou louco por poesia, mas me envolvo em tramas bem escritas. Reclamo da loucura da minha cidade, mas a homenageio em poemas. Conheço uma pessoa pelo que ela fala ou age, mas aprendo mais sobre ela quando leio seus olhos e capto sua essência.

Assim sendo, sou o resultado das coisas que gosto de fazer ou pensar. Amo leitura, pelo conhecimento e pelo que é mais divertido, “vestir” as diversas vidas propostas pelos autores e simplesmente viajar no imaginário. A imaginação também presente nos desenhos e pinturas que gosto de fazer e na profissão de designer gráfico, e que me levou a outra paixão: o teatro. A magia e a vida pulsantes em cada espetáculo são fascinantes, mas incomparável mesmo é fazer parte de uma obra como essa, seja como autor, seja como integrante da equipe que monta a peça ou que fica por detrás da boca de cena.

Mas Livro Aberto também é um convite à aventura. Fazer parte de algo maior, ampliar horizontes a cada palavra escrita ou lida. Assim, na ânsia de poder expressar o que vejo e sinto sobre as pessoas e coisas do mundo, lanço-me na tentativa de verbalizar sentimentos e sensações em prosa e poesia.

Escrevo no Coisas de Manogon (http://coisasdemanogon.blogspot.com) e no Desabafo de Mãe (http://blogdodesabafodemae.blogspot.com), e participo também do Coletânea Artesanal (http://coletaneartesanal.wordpress.com).

Duas estrofes da poesia Autopsicografia e uma outra sem nome, de Fernando Pessoa, me fazem pensar no que nós, escritores e aspirante ao posto, somos:

“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm”

“Ma eu, alheio sempre, sempre entrando
O mais íntimo ser da minha vida,
Vou dentro em mim a sombra procurando.”

Já eu, tenho pouco a dizer:

Escreviver

Palavras surgem do nada
Rabiscadas numa folha
Estranhas, tortas
Apressadas
Estrofes não acabadas
No papel expressos
Meus pensamentos
No texto impresso
Vontades, desejos
Sonhos, lamentos