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Quem mais se importa em poder, querer e ter
É o mesmo a quem menos interessa simplesmente ser
Ser honesto
Ser modesto
Ser permanente
Ser gente
Hoje, caros senhores
Senhoras de quase fino trato
Enquanto vivemos de trocas de penhores
Sofremos as consequencias desse assalto
Homens e mulheres, gravata e salto alto
Trocando a míséria do povo por favores
Derramando sangue alheio no asfalto
Roubando sem costumeiros pudores
Que falta a esse povo para ver?
Dólares recheando cuecas
Malas pretas e heureca!
Dossiê divertido e jeca.
Já que nada parece abalar ou contradizer
Aqueles todos, homens e mulheres de poder
Melhor limitar-se ao ser
Para não juntar-se a eles, homens e mulheres
Que um dia irão também apodrecer.
Meu terror escondido sob o sol cálido
[me aquece.
Tua morte jazente sob escuras lápides,
[sem prece
Amor perdido em trágica cena precoce
[que pena
Partiste sem despedida e do túmulo agora
[me acena
Doce era antes teu sabor, manjar de paixões
Não existe mais a fragrância da alfazema…
Tudo que me resta são pequenas, ínfimas emoções
E por ódio do divino este que te amou blasfema
Não vou deixar de vir aqui e estar contigo
Danem-se os céus e esse castigo
As rezas todas feitas por ti desdigo
Quero-te novamente viva, levanta deste jazigo!
E dizem que existe algo ainda além
Um vida cheia de outras sonhadas vidas
Mas que sonham esses sem mais ninguém
Se a falta que me fazes me invalida?
Eu andava querendo compor um poema
Onde as rimas fizessem o tema
Tentei de todas as formas, até as eufóricas
Só me saia coisa torta ou metafórica
Insisto que rimo porque gosto do som
Não há contagem, somente um mesmo tom
De terminações silábicas sonantes
De concordância da seguinte com a de antes.
Não sigo métrica por preguiça indolente
para isso existem cordelistas, mais competentes
Que tem prazer em contar cinco aqui, sete acolá
Fico cansado só de ver o trabalho que isso dá…
Mas sigo tentando histórinhas muitas vezes infantis
Rimadas com a pobreza de meu vocabulário vazio
Escrevendo versinhos com sabor de bala de anis
Versinhos fáceis e pobres com palavras que associo.
E que ressoem os tambores
Deste picadeiro descoberto
Um país podre, corrupto e desonesto
Que, ora vejam só!,
Ainda quer ser levado a sério.
Onde anda o tal povo varonil, bravo, guerreiro?
Onde anda a Justiça, cega mas de fino olfato?
Ou ainda por onde andará
Aquele que todas respostas daria?
Decrépitos, desonestos e calhordas
Nada melhor descreve a esta corja
Insensível ao povo que os elegeu
Inebriada pelo poder absurdo
salva pelo cabresto do tal vil metal.
Safados, arrogantes e canalhas
Que somente a um nome atende: PORCOS!
Ofensa ao pobre animal que
Dos restos de seus parentes prostituídos se alimenta
Injustamente nomeado, pois este na lama
Somente se refresca
Enquanto aqueles submergem e se deliciam,
Com suas falcatruas descaradas e desavergonhadas.
Seduzidos pela alienação social
Corrompidos pela mania nacional
“Uma caixinha resolve…”
Responsáveis somos por aqueles que não sabem
Que dentro de cada um de nós existe uma mente
Frenética e pensante.
Não pulsa por não ser dado à emoção
Não palpita por não saber de solidão.
Não dói por esquecer a quem fez sofrer.
Mas pesa. E um dia esses nobres vagabundos
Tomadores desse certo país
Quem sabe?
Sofrerão as consequências seus atos
Uma cela fria talves?
Uma morte lenta e dolorosamente purificadora?
Estragando a vontade daqueles que
Em dia com sua sanidade
Optam por um fim triste e merecido
Declaro que somente um final os aguarda
Um paraíso fiscal com polpuda mesada.
Paga por você, claro…
Assim autentica-se o amor
beijo bandido e boêmio
cáustico, compreensivo e castrador
dado em determinado dia
efemero, etéreo, esbaforido.
Foste forte feita
galhofa galante de gaia,
habilmente humilde, habita
ilha ínfima, íntima.
Jogas em jogos jocosos
lânguidos, latejantes lábios,
mastigam minha memória
norteiam novas necessidades,
ostentados por oníricos orgasmos.
Posso pedir-te, posso?
Quero querer o quanto
Ruminar roucos repentes
Soprar solos às serpentes.
Tanto tento tocar…
Uivo único e ululante
Voluptosas vagas volteiam.
Xadrez de xamãs xilogravado.
Zagor em zeloso zigurate.
Desanuviô dotô,
Os pássaro tão de vorta nas foia das arve
A terra tá fumaceando
A neblina tá subindo pro céu
Os bois eu já sortei, dotô
Tão tudo lá no pasto
Comendo e drumindo,
Acordando e vagando prá ninhum lugá.
As barranca que desceu na chuvarada
Nóis, os peão tamo limpando
Sua estrada vai tá limpa amanha
Nem suja as bota sua muié num vai.
Craro que vai demorá uns pouco
Pra tudo vorta nos lugá
Tem teiado com gotera
Tem cerca prá arrumá.
Só uma coisa num tem cunserto, dotô
Nossos barraco que o sinhô nos cedia
Foi simbora com aquele mar
Todas nossas coisa tá na lama
Virou um brejo nosso quintar
Nóis tudo sabe que o dotô também tem seus pobrema
Que se pudesse havera de nos ajudá
Mas bem queria que o sinhô falasse era com Deus
Aquele qui o dotô tem no altar
Podia dizê pra’Ele que Amâncio, este vosso criado
Está muito chateado e de coração partido
Pois Ele deixou que sua fiinha de 8 mês
Rolasse junto com as traia e o barro fedido.
Mas num se amofe não dotô… Nóis é peão de longa data… daqueles de dormi nu frio do relento.
Mesmo com a alma trincada de sardade da minha menininha.. num havera eu de fazer valê meu talento?

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