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Quem mais se importa em poder, querer e ter
É o mesmo a quem menos interessa simplesmente ser
Ser honesto
Ser modesto
Ser permanente
Ser gente
Hoje, caros senhores
Senhoras de quase fino trato
Enquanto vivemos de trocas de penhores
Sofremos as consequencias desse assalto
Homens e mulheres, gravata e salto alto
Trocando a míséria do povo por favores
Derramando sangue alheio no asfalto
Roubando sem costumeiros pudores
Que falta a esse povo para ver?
Dólares recheando cuecas
Malas pretas e heureca!
Dossiê divertido e jeca.
Já que nada parece abalar ou contradizer
Aqueles todos, homens e mulheres de poder
Melhor limitar-se ao ser
Para não juntar-se a eles, homens e mulheres
Que um dia irão também apodrecer.
Um pouco tardio, mas reproduzo aqui um poema que fiz ano passado em homenagem às mães. Só um pouco do que se pode dizer delas, as quais têm não só um dia como seus, mas todas as manhãs, sejam elas cinzentas ou avermelhadas pela imponência do sol.
Mãe verdadeira
A mãe de verdade não começa quando dá a luz
Não surge assim do nada
Tropeçando pelos cantos
Tresloucada e desvairada
Caindo nos braços da maternidade
É um estado de espírito que começa quando ela nasce
A mãe de verdade não só consola o filho
Ela chora a cada choro
Sorri a cada riso
Embala seus nenês
Mesmo que esses já tenham os seus
E festeja a cada conquista deles
Mesmo que eles não lhe chamem a comemorar
A mãe de verdade não deixa de ser mãe
Nunca!
Mesmo que os filhos a esqueçam
Mesmo que ela vire avó, bisavó ou tetravó
Mesmo que ela já não exista
Mesmo que esteja sempre presente
A mãe de verdade é uma divindade
Que transcende a figura que a representa
Mas que carrega as agruras dos sentimentos
As vibrações das vitórias e do sucesso
Que se completa com o que retira dos outros
Que adormece com um fardo nas costas
E desperta mais leve que a pluma
Pronta a passar por tudo novamente
E assim é a mãe verdadeira
A que tudo dá e nada exige
A não ser pedir que Deus cuide dos seus
A que ri com o riso dos filhos
E chora por todos eles
Que empresta seu ombro, sua mão, seu braço
Seu colo, seu coração, seu tudo
Só para ver florescer e brotar
A esperança nos olhos de sua prole
Só para contagiar, nem que por um instante,
Os corações dos que convivem com ela
Ou que com ela passam os mais ínfimos segundos
A mãe verdadeira é parceira
Dos pais
Dos filhos
De Deus
Da Virgem Maria
De todas as marias
De todas as anônimas que dão a vida
E que à vida trazem seus rebentos
Ou se arrebentam para criarem condições
E nunca deixarem faltar nada às suas crias
Nem na mesa nem no coração
As mães verdadeiras se orgulham por serem assim
Quando rezam, lembram de todos
E pouco pedem para si
Dessa forma, jamais deveriam cair no esquecimento
Mesmo que elas já não se lembrem bem das coisas
Elas merecem receber da vida (e de todos)
O que oferecem naturalmente a qualquer um
Atenção, carinho e amor
Manoel Gonçalves
Janela Aberta

Um olhar que se perde,
…em meio a paisagem da cidade!
Onde o vai e vem de pessoas,
é feito brisa por entre as folhas!
A pressa?
Acumula-se pelas muitas esquinas,
que se perdem na sola dos pés!E tudo parece estar…
Sobre o controle ausente,
de um Deus a quem não se reza!Falta silêncio nas horas do dia,
Falta quem aprecie o desenho,
…que se forma pelo caminho!Linhas e contornos,
cheias de breve vazios!
E lá vai o desavisado,
…falar mal de tuas linhas!Cidade suja…
Gente esquisita!
Malditos paulistas já dizia Mário!
E mais adiante,
…cospe alguém,
pelo meio do caminho!Essa cidade é um mundo insólito
Onde o passo descobre diferentes direções!
Aqui, a ilusão se impõe…
O artista faz sua arte num canto qualquer
…a mulher vende seu salgado na fila do ônibus
O malabarista perde o equilíbrio entre um carro e outro
…o ciclista passeia pela rua como ilustre convidado
O motorista reclama junto com a sua buzina
E o tempo dá corda nas ações humanas!E eu, distante de tudo
Esqueço minha janela aberta,
Espero tua noite chegar!
Tento não te desconstruir
…tento enxergar apenas tua realidade!Então…
Te reinvento
…não te faço mais nem menos
Te faço cidade!
Com teus erros e acertos!
Meu terror escondido sob o sol cálido
[me aquece.
Tua morte jazente sob escuras lápides,
[sem prece
Amor perdido em trágica cena precoce
[que pena
Partiste sem despedida e do túmulo agora
[me acena
Doce era antes teu sabor, manjar de paixões
Não existe mais a fragrância da alfazema…
Tudo que me resta são pequenas, ínfimas emoções
E por ódio do divino este que te amou blasfema
Não vou deixar de vir aqui e estar contigo
Danem-se os céus e esse castigo
As rezas todas feitas por ti desdigo
Quero-te novamente viva, levanta deste jazigo!
E dizem que existe algo ainda além
Um vida cheia de outras sonhadas vidas
Mas que sonham esses sem mais ninguém
Se a falta que me fazes me invalida?
Eu ainda não trabalho, portanto não sei o que é ganhar dinheiro com o suor do próprio rosto. Entretanto, estou cercado de pessoas que trabalham nas mais variadas áreas de trabalho. Algumas entraram na universidade, conseguiram um diploma e se especializaram naquilo que fazem. Outras aproveitaram um curso técnico, aprenderam o básico pra exercer certo ofício e foram à luta. E há ainda aqueles que passaram em concursos, os que são autônomos e os trabalhadores informais.
Bom, depois de dizer isso tudo, concluo uma coisa: trabalho não falta, ainda que haja tanta gente desempregada procurando um lugar na sociedade pra garantir o pão de cada dia. Trabalho - praticamente - não falta, mas de nada adianta trabalhar em algo que não se gosta.
Trabalho tem que ser algo que enleve a alma, que nos faz crescer constantemente e que nos ajuda a aprender um pouco mais. Se trabalha como datilógrafo - ofício nem tão mais necessário nos dias de hoje com o advento do computador e da impressora - tem que gostar de ficar sentado horas a fio na cadeira preparando determinado texto pra entregar segunda, terça, quarta. Se trabalha como, sei lá, banqueiro, tem que gostar de lidar com finanças, burocracia e daí por diante.
É claro que existem certas ocasiões e casos em que se trabalha por pura necessidade, pra alimentar o filhinho que tá esperando em casa por feijão, arroz e salada. Mas acredito eu, na minha santa inocência e imaturidade, que essas pessoas tenham o sonho de trabalhar em outros ramos, sob outras situações. E tem gente que persevera tanto e acredita que vai conseguir realizar-se e trabalhar naquilo que realmente deseja, que vai juntando - quando dá - o que vai sobrando do dinheiro que ganha, ingressa num curso ou num supletivo, completa os estudos e aos poucos vai construindo o que é necessário pra tornar viável o seu desejo.
Eu sei que não é fácil, mas sei também que não é fácil ter que bater ponto todo dia num escritório cheio de gente chata e ranzinza e sem prazer por aquilo que faz.
Estou lendo “O Lobo da Estepe” de Hermann Hesse e concordo plenamente com o que o Harry Haller acredita: de nada adianta simplesmente existir e deixar o tempo passar em branco. É importante colorir a vida com azul, verde, amarelo, rosa, roxo e mais cores que se queira. É importante não se deixar levar pelo simples cotidiano que massifica e amassa, e ir atrás da felicidade, da realização.
Tá, tudo bem, eu tenho lá minhas dúvidas quanto a felicidade. Mas não custa acreditar que dá pra chegar bem pertinho.
E realmente viver.
- Lunna, se achar que eu usei mal o espaço, fique à vontade pra fazer alterações ou pra me dar carão. Beijos e bom feriado.

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