Janela Aberta

Um olhar que se perde,
…em meio a paisagem da cidade!
Onde o vai e vem de pessoas,
é feito brisa por entre as folhas!
A pressa?
Acumula-se pelas muitas esquinas,
que se perdem na sola dos pés!

E tudo parece estar…
Sobre o controle ausente,
de um Deus a quem não se reza!

Falta silêncio nas horas do dia,
Falta quem aprecie o desenho,
…que se forma pelo caminho!

Linhas e contornos,
cheias de breve vazios!
E lá vai o desavisado,
…falar mal de tuas linhas!

Cidade suja…
Gente esquisita!
Malditos paulistas já dizia Mário!
E mais adiante,
…cospe alguém,
pelo meio do caminho!

Essa cidade é um mundo insólito
Onde o passo descobre diferentes direções!
Aqui, a ilusão se impõe…
O artista faz sua arte num canto qualquer
…a mulher vende seu salgado na fila do ônibus
O malabarista perde o equilíbrio entre um carro e outro
…o ciclista passeia pela rua como ilustre convidado
O motorista reclama junto com a sua buzina
E o tempo dá corda nas ações humanas!

E eu, distante de tudo
Esqueço minha janela aberta,
Espero tua noite chegar!
Tento não te desconstruir
…tento enxergar apenas tua realidade!

Então…
Te reinvento
…não te faço mais nem menos
Te faço cidade!
Com teus erros e acertos!

Meu terror escondido sob o sol cálido
[me aquece.
Tua morte jazente sob escuras lápides,
[sem prece
Amor perdido em trágica cena precoce
[que pena
Partiste sem despedida e do túmulo agora
[me acena
Doce era antes teu sabor, manjar de paixões
Não existe mais a fragrância da alfazema…
Tudo que me resta são pequenas, ínfimas emoções
E por ódio do divino este que te amou blasfema

Não vou deixar de vir aqui e estar contigo
Danem-se os céus e esse castigo
As rezas todas feitas por ti desdigo
Quero-te novamente viva, levanta deste jazigo!

E dizem que existe algo ainda além
Um vida cheia de outras sonhadas vidas
Mas que sonham esses sem mais ninguém
Se a falta que me fazes me invalida?

Eu ainda não trabalho, portanto não sei o que é ganhar dinheiro com o suor do próprio rosto. Entretanto, estou cercado de pessoas que trabalham nas mais variadas áreas de trabalho. Algumas entraram na universidade, conseguiram um diploma e se especializaram naquilo que fazem. Outras aproveitaram um curso técnico, aprenderam o básico pra exercer certo ofício e foram à luta. E há ainda aqueles que passaram em concursos, os que são autônomos e os trabalhadores informais.

Bom, depois de dizer isso tudo, concluo uma coisa: trabalho não falta, ainda que haja tanta gente desempregada procurando um lugar na sociedade pra garantir o pão de cada dia. Trabalho - praticamente - não falta, mas de nada adianta trabalhar em algo que não se gosta.

Trabalho tem que ser algo que enleve a alma, que nos faz crescer constantemente e que nos ajuda a aprender um pouco mais. Se trabalha como datilógrafo - ofício nem tão mais necessário nos dias de hoje com o advento do computador e da impressora - tem que gostar de ficar sentado horas a fio na cadeira preparando determinado texto pra entregar segunda, terça, quarta. Se trabalha como, sei lá, banqueiro, tem que gostar de lidar com finanças, burocracia e daí por diante.

É claro que existem certas ocasiões e casos em que se trabalha por pura necessidade, pra alimentar o filhinho que tá esperando em casa por feijão, arroz e salada. Mas acredito eu, na minha santa inocência e imaturidade, que essas pessoas tenham o sonho de trabalhar em outros ramos, sob outras situações. E tem gente que persevera tanto e acredita que vai conseguir realizar-se e trabalhar naquilo que realmente deseja, que vai juntando - quando dá - o que vai sobrando do dinheiro que ganha, ingressa num curso ou num supletivo, completa os estudos e aos poucos vai construindo o que é necessário pra tornar viável o seu desejo.

Eu sei que não é fácil, mas sei também que não é fácil ter que bater ponto todo dia num escritório cheio de gente chata e ranzinza e sem prazer por aquilo que faz.

Estou lendo “O Lobo da Estepe” de Hermann Hesse e concordo plenamente com o que o Harry Haller acredita: de nada adianta simplesmente existir e deixar o tempo passar em branco. É importante colorir a vida com azul, verde, amarelo, rosa, roxo e mais cores que se queira. É importante não se deixar levar pelo simples cotidiano que massifica e amassa, e ir atrás da felicidade, da realização.

Tá, tudo bem, eu tenho lá minhas dúvidas quanto a felicidade. Mas não custa acreditar que dá pra chegar bem pertinho.

E realmente viver.

- Lunna, se achar que eu usei mal o espaço, fique à vontade pra fazer alterações ou pra me dar carão. Beijos e bom feriado.

Eu andava querendo compor um poema
Onde as rimas fizessem o tema
Tentei de todas as formas, até as eufóricas
Só me saia coisa torta ou metafórica

Insisto que rimo porque gosto do som
Não há contagem, somente um mesmo tom
De terminações silábicas sonantes
De concordância da seguinte com a de antes.

Não sigo métrica por preguiça indolente
para isso existem cordelistas, mais competentes
Que tem prazer em contar cinco aqui, sete acolá
Fico cansado só de ver o trabalho que isso dá…

Mas sigo tentando histórinhas muitas vezes infantis
Rimadas com a pobreza de meu vocabulário vazio
Escrevendo versinhos  com sabor de bala de anis
Versinhos fáceis e pobres com palavras que associo.

Sangue da perna,

Chuta bola quebra a canela

Desespera,

Desespera,

Jogo da vida cretina

E ela bandida

Corre sebo,

… Vem deita no pelego…

Beija minha boca,

Tira ar do meu peito

Te desejo,

E como desejo!

Larga o pé da bola, desmiolada…

Deixa te dar um cheiro!

Ai, que ainda te puxo a corda…

Larga dessa bola,

Deita no meu peito,

… Quero te contar nossa história!

Estrépito

Com estrépito

O homem deixa

De sonhar

O pássaro
Desaprende a voar.

3

O navio

Não via

O avião.

 

Gente

Na via

Ia

Mas não se via

Nem no navio

Nem no avião.


Só na navalha

Melhor se via

A gente que vai

A gente que ia.

4

Nada sei

Das vezes que sou.

Estou

: tudo que sei.

7

De madrugada

Vejo Deus

Dormindo

Em mim.

Ao ouvir o escrivão disse:
- Não estou interessado.
E saiu chutando a porta do cartório.
‘Seu’ Nésio só teve tempo de segurar ‘Dona Vida’ nos braços antes dele mesmo cair sentado numa cadeira ao lado da escrivaninha.
Do lado de fora os desavisados cidadãos Pardienses nem se deram conta do homem que saía aos berros de lá de dentro.
- Não estou interessado! E esmurrava o ar como um Pelé depois do gol.
Já se foi o tempo em que nessa cidade as coisas aconteciam porque tinham de acontecer.
E também já se foi o tempo em que os amantes não podiam decidir quem deveriam amar de verdade.
Do outro lado da rua Soriano já esperava por isso, e não pensou duas vezes quando viu o amante sair gritando. Atravessou a rua, entrou no cartório e disse ‘sim’ na frente do juiz e da noiva Margarida.
Agora não havia mais motivo para vergonhas e outras sensações mais fortes, a coisa estava feita.
Mas isso foi há uns seis anos atrás. Hoje Hugo e Soriano são um casal muito feliz, e Margarida apaixonou-se por Iara, a escrevente do cartório.
O Padre Jorgino nem acha mais estranho essa mania de se amar a quem se quer em São Pardinho.

Créditos da Imagem. Poeta da Lua

Noite molhada
…com espasmos de outono
Nós duas tramando segredos
…ensaiando passos
Buscando sombras na negra paisagem
A noite lenta
…tecendo silencios ao redor dos olhos

Janela aberta,
vento que serra…
Vapor do chá misturado em linhas,
…compassadas de silêncio.
Horas passadas, sombras mutáveis…
As letras escorrendo, pelas janelas do tempo

O movimento do corpo entoa uma dança
…na solidão dos ponteiros
O sorriso interpreta a lembrança
E o verso ganha forma em ousadias suas e minhas
… miragens que se diferem em traços e retas

E a noite lá fora segue pedindo uma xícara de chá!

sorrisos descobertos…
Letras entrelaçadas,
um pedaço de chocolate na mão…
E as linhas voando em todas direções
A paisagem é a saudade…
Inspiração das noites claras

E as lágrimas escorrem na vidraça
pelo lado de fora!
Enquanto os lábios murmuram uma saudade!

O oceano se faz lá fora…
Medos desfeitos e as páginas preenchidas…
Páro e olho a ebulição de minha xícara,
saudades da vida…

Poema escrito a duas mãos
Autoras. Letícia Coelho e Lunna Guedes
Noite de Sábado - 19/04/08 - 20h10minutos.

*****

Leia também.
- A chegada das letras no Brasil (Nossa Via)
- Literatura Jesuíta (Nossa Via)
- Conto. Retalhos ( Blog Acqua)

E que ressoem os tambores
Deste picadeiro descoberto
Um país podre, corrupto e desonesto
Que, ora vejam só!,
Ainda quer ser levado a sério.
Onde anda o tal povo varonil, bravo, guerreiro?
Onde anda a Justiça, cega mas de fino olfato?
Ou ainda por onde andará
Aquele que todas respostas daria?
Decrépitos, desonestos e calhordas
Nada melhor descreve a esta corja
Insensível ao povo que os elegeu
Inebriada pelo poder absurdo
salva pelo cabresto do tal vil metal.
Safados, arrogantes e canalhas
Que somente a um nome atende: PORCOS!
Ofensa ao pobre animal que
Dos restos de seus parentes prostituídos se alimenta
Injustamente nomeado, pois este na lama
Somente se refresca
Enquanto aqueles submergem e se deliciam,
Com suas falcatruas descaradas e desavergonhadas.
Seduzidos pela alienação social
Corrompidos pela mania nacional
“Uma caixinha resolve…”
Responsáveis somos por aqueles que não sabem
Que dentro de cada um de nós existe uma mente
Frenética e pensante.
Não pulsa por não ser dado à emoção
Não palpita por não saber de solidão.
Não dói por esquecer a quem fez sofrer.
Mas pesa. E um dia esses nobres vagabundos
Tomadores desse certo país
Quem sabe?
Sofrerão as consequências seus atos
Uma cela fria talves?
Uma morte lenta e dolorosamente purificadora?
Estragando a vontade daqueles que
Em dia com sua sanidade
Optam por um fim triste e merecido
Declaro que somente um final os aguarda
Um paraíso fiscal com polpuda mesada.
Paga por você, claro…

As coisas que acontecem no dia-a-dia, de alguma forma, alegre ou triste, mexem com a gente e influenciam pensamentos e atitudes e tudo que deles resulta. Fiquei muito comovido com todos os fatos envolvendo criança (desde o caso de tortura até o mais chocante e enigmático, que é o caso da garotinha). Não quero ser sensacionalista, nem pregar a culpa de X ou Y. O que anda acontecendo com a criançada é de um absurdo tão grande que o mais importante é que as pessoas envolvidas nos diversos casos sejam punidas, sejam quem for.

Escrevi algumas palavras que podem servir a qualquer pequenino que, por algum motivo, não está mais por aqui para nos ensinar como aproveitar a pureza e a alegria.

 

Algumas palavras

 

Sabe aquela menina

Já não mais ri

Não mais pula e brinca

Não mais encanta a casa

 

Aquela menina

Que sorria para a câmera

E girava em torno do corpo

Agora está parada

 

Foi dançar em outro lugar

Brincar com as nuvens

Viajar longas distâncias

Esbanjar de ser criança

 

Aquela menina sorridente

Só não merecia em tão pouca idade

Sair do mundo de repente

Vítima de tamanha crueldade

 

Agora brinca, menina

Sorria seu riso mais gostoso

E quem se comoveu aqui fica

Indignado pedindo justiça

Rezando para que seja capaz

De enfim descansar em paz

 

Abraços.

 

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